[EDEN FIELD]
Hannael havia sofrido durante sua última batalha.Não esperava que um dia tivesse de tomar tal atitude.Lutar tão brutalmente contra aquele que havia sido um dia seu grande amigo e companheiro de batalhas.Foi duro para ele.Nem tanto pelos ferimentos que sofrera, mas pela dor que lhe causava cada golpe de seu velho amigo, uma dor no coração, um aperto sem igual.Porém não maior do que a dor que sentia cada vez que desferia um golpe com a finalidade de atingir seu adversário, que um dia havia partilhado longas gargalhadas com ele.
O sangue lhe escorria pela boca, os lábios cortados.Tinha um par de asas muito grande e imponente.Penas alvas, porém sujas por manchas de sangue e fuligem.Vestia uma túnica agora já rasgada.Tinha longos cabelos castanhos que caíam sobre suas costas, entre as asas..O sangue em seu rosto se misturava às lágrimas.Porém esforçava-se para contê-las.Não se podia ver seus olhos, cobertos como estavam por sua franja.Além do mais andava de cabeça baixa.
Mais adiante avistou sua espada, caída entre as flores.Era um pecado declarar que ali havia ocorrido uma batalha tão sangrenta.O sangue que manchava a espada fazia com que as flores sofressem, tão abundantes ali.Hannael foi até lá cambaleando e começou a fitar sua espada.Era toda adornada de rubis e a lâmina era bem polida e larga.Tomou a espada em suas mãos e mirou-a com nojo.Não do sangue que a permeava, mas de si mesmo, capaz de tal atrocidade.Nunca havia se censurado por matar criaturas malignas, ou bani-las sem piedade para algum Inferno qualquer.Mas era diferente quando a tal criatura se tratava de alguém que conhecera tão bem, do qual conhecia os valores e ideais.O qual amava.Ainda mais duro era não entender o porquê de sua mudança súbita.Tivera que fazê-lo Não havia escolha para Hannael, sobretudo quando se tratava de uma ordem tão direta.
Convocou toda a energia que foi capaz; concentrou-a em suas mãos.Quebrou a espada ao meio.Largou-a ali no solo, em meio às flores que morriam sufocadas pela aura marcial que ainda pairava sobre o local.Olhou uma última vez para o campo florido, abriu as asas, ruflou-as e partiu.O vento secava o sangue em seus lábios e o fazia crer que era culpa desse mesmo vento as lágrimas que agora eram finalmente derramadas.Pontos de luz que não podiam ser avistados por ninguém.
Em seu vôo interminável pensava o que teria havido com seu combatente.Estaria ele vivo?Se sim, entenderia que não fora sua vontade bani-lo para aquele lugar detestável em que se encontrava?Seria um dia capaz de perdoá-lo?Não.Realmente não.Agora já era tarde demais.
Por Artur Duduch e Gwidyon Pendragon
São Paulo, 20 de junho de 2008
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